Estado de FLOW = Realização e Entrega

March 17, 2017

 

A teoria do FLOW concebida por Mihaly Csikszentmihalyi surge de perguntas como: “Por que é difícil ser feliz?” “Qual é o significado da vida?”

 

Sua curiosidade, ao teorizar sobre o FLOW, era a de descobrir quais os elementos que contribuem para uma vida significativa.

 

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Riqueza X Felicidade

 

Mihaly ao examinar a felicidade percebe que possuir “coisas” está longe de nos trazer a experiência que tanto desejamos.  Os “muito felizes” tendem a permanecer na faixa de 30%, independentemente do crescimento econômico e da renda per capita. O gráfico embora seja de um período entre 1956 a 1998 usado por Mihaly em suas apresentações iniciais da Teoria do FLOW se mantem atual quanto a porcentagem de indivíduos que se declaram felizes.

 

Se por um lado é verdade que a falta de recursos básicos prejudica um nível mínimo de felicidade, seu aumento não produz maior felicidade.

 

A pergunta que se impõe então é: quais elementos que correspondem à felicidade em nosso dia a dia?

 

Se o progresso econômico não é o elemento que proporciona a felicidade plena, onde está o segredo? O que faz as pessoas sentirem que vale passar a vida fazendo coisas que não lhes trarão fama ou fortuna?

Usando uma metodologia que consistia em enviar aleatoriamente ao longo do dia aos pagers de voluntários estes ao receberem a mensagem, deveriam preencher um formulário descrevendo o que estavam fazendo e como se sentiam.

 

A partir dos resultados dessa pesquisa, Mihaly e sua equipe descobriram um grupo de “atividades ótimas” ou estado de “FLOW”.

 

O que é o estado de FLOW?

 

Um músico, voluntário da pesquisa, respondeu que o estado de FLOW é: “Um estado de êxtase de tal modo que sente que nem sequer existe mais. Minha mão parece mover independente de meu corpo, e eu não tenho a menor interferência no processo. Eu apenas fico lá, assistindo em fascínio. E a música apenas flui.”

 

Etimologicamente, a palavra “êxtase” se originou a partir do grego ékstasis, termo que se refere a sensação de “tirar alguém de sua própria mente”, ou seja, um estado de transe.

 

Mihaly afirma que ao pensarmos em grandes civilizações como a chinesa, hindu, maia ou egípcia, o que sabemos é sobre seu êxtase pois conhecemos seus circos, teatros, arenas, pirâmides… lugares para experimentar a vida além do ordinário.

 

A Neurociência demonstra que não somos capazes de processar mais do que uma quantidade de dados por segundo. Quando desfrutamos um estado de FLOW somos incapazes de monitorar nosso corpo, como nos sentindo, se temos fome, se estamos cansados ou pensar em problemas mundanos é como se a existência estivesse temporariamente suspensa.

 

Quem já experimentou o estado de FLOW diz:

 

“É como abrir uma porta que estava flutuando no meio do nada e a única coisa que precisa fazer é abrir e se permitir mergulhar no que existe adiante.”

 

“Impossível uma passagem forçada, é necessário flutuar.”

 

“É um processo espontâneo e sem esforço consciente.  Tudo está perfeito, tudo é bom. É praticamente impossível pensar, é como se tudo estivesse indo de forma automática.”

 

“É como se estivesse num piloto automático, você não tem pensamentos. Você é parte de tudo que está acontecendo.”

 

O estado de FLOW pode ser vivido por pessoas que definem o sucesso como algo que ajuda aos demais. Anita Roddick, fundadora da The Body Shop recomenda: “Descubra sua paixão. O que te deixa estimulado? Procure empresas que você gosta e admira. O que é que você admira sobre elas? Se puder, faça um programa de estágio lá, ou bata na porta e pergunte se você pode trabalhar lá sem exigir um salário alto. Se puder, encontre organizações que mexem com seu espírito. Trabalhe ao lado deles. E divirta-se. Lembre-se você passa a maior parte de vida num ambiente de trabalho, pode e deve ser prazenteiro.”

 

Como chegar ao estado de FLOW?

 

Mihaly entrevistou alpinistas, monges, pastores, pessoas com diferentes níveis de educação e cultura e identificou elementos comuns que indicam o que é estar no estado de FLOW:

  1. Completamente envolvido no que se está fazendo: com foco e concentração.

  2. Um sentimento de êxtase, de estar fora da realidade do cotidiano.

  3. Uma maior claridade interna, sabendo o que deve ser feito e quão bem estamos fazendo o que deve ser feito.

  4. Saber que a atividade é possível, que nossas habilidades são adequadas para a tarefa.

  5. Um sentimento de serenidade, sem preocupações e um sentimento de estar crescendo além dos limites do eu.

  6. Uma idéia de estar além da dimensão temporal, totalmente focado no momento presente. As horas parecem passar como se fossem minutos.

  7. Motivação intrínseca.

Veja que interessante o que Mihaly descobriu no seguinte gráfico:

 

O eixo horizontal representa nosso nível de habilidades e o eixo vertical os desafios diante de nós. Quanto maior o desafio e nosso grau de competência, maior a tendência em encontrar FLOW.

 

 

Em geral estamos no ponto do meio. Encontramos o FLOW ao fazer aquilo que realmente gostamos. Quando temos controle temos um bom domínio do que estamos fazendo, mas não nos sentimos desafiados. A apatia é o ponto mais negativo.

 

Hedonismo traz felicidade?

 

E assistir televisão? Usar entorpecentes? Não são atividades que geram prazer?

 

Apesar de serem prazerosas, envolvem pouca determinação e força de vontade consciente. Portanto não promovem crescimento. O desafio é muito baixo e, portanto essas atividades de puro prazer que exigem pouca habilidade nos levam ao relaxamento, tédio ou, pior: apatia.

 

A Descoberta do Fluxo

 

A pesquisa de Mihaly, documentada no livro ”A Descoberta do Fluxo” indica que ao sermos passivos, nossas chances de alcançar a felicidade são poucas. O ser humano não está construído para encontrar felicidade como estado padrão.

 

Mihaly propõe pensarmos no universo em termos de ordem e caos (ou entropia/desordem). Em sua teoria, nós humanos pensamos que a organização é prazerosa por si só. Esta constatação é peça fundamental da teoria do FLOW pois a satisfação humana está no processo de trazer ordem as nossas vidas.

 

Aponta para a autodeterminação como o caminho para que a consciência seja livre e feliz. Uma pessoa que faz aquilo que entende ser o correto vai adquirindo experiência e, com isso, mais habilidades. Cada momento que supera desafios evolui e ficou pronta para desafios maiores, uma espiral virtuosa. Portanto, as oportunidades para entrarmos em estado de FLOW são viciantes, sem elas, a vida seria chata, sem sentido.

 

Para Mihaly, a felicidade pode ser aumentada ao fazermos aquilo que amamos.

 

Qual o sentido da vida?

 

Ao invés de buscar uma explicação esotérica para nossa existência, Mihaly propõe uma explicação subjetiva, pessoal: o significado da vida é qualquer coisa que seja significante para mim.

 

O que dá significado para a minha vida você pode achar perda de tempo, mas é o que preenche a minha vida de significado e não tenho como explicar o motivo, apenas sei que é algo que me traz prazer e posso passar horas e horas fazendo isso sem perceber o tempo passar.

 

O que caracteriza essa escolha é:

 1) um senso de propósito e

 2) auto-conhecimento.

 

O propósito geralmente é algo que transcende nosso interesse imediato. O estado de FLOW nos deixa mais conscientes de nossa existência e como nos relacionamos com o mundo.

 

A cultura da era industrial tinha uma clara distinção entre o que era trabalho e o que era prazer.

 

Hoje, cada vez mais é possível examinar o trabalho realizado por um profissional e nos indagarmos se é algo que induz ao estado de FLOW ou não.

 

Então: como é o relacionamento com o trabalho que você realiza hoje? 

É possível reinventar-se na forma como se engaja no trabalho?

É necessário mudar completamente?

 

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