Transformação de comportamento em adultos (70:20:10)

June 28, 2019

Você que trabalha com a transformação de comportamentos humanos vai gostar de ler Morgan McCall, Michael Lombardo e Robert Eichinger do Center for Creative Leadership. Eles publicaram sua pesquisa original no livro “The Career Architect Development Planner” fundamentada no resultado de 200 entrevistas feitas com executivos, baseado na autopercepção de como eles acreditavam que se dava a sua própria aprendizagem no trabalho. Algo novo? A publicação não, mas a pratica sim.

 

Eles apresentaram o modelo 70:20:10 de aprendizagem combinada que demonstra que cerca de:

 

 - 70% do que as pessoas aprendem para melhorar seu desempenho no trabalho, decorre de experiências e práticas cotidianas.

 

 - 20% daquilo que aprendem se da nas interações com outras pessoas, como conversas, relacionamento, vida social e familiar,

 

 - 10% da aprendizagem é decorrente de eventos formais de aprendizagem como cursos, treinamentos, leituras, webnários, vídeos.

 

O resultado da pesquisa desse modelo, mesmo criticada por muitos acadêmicos por seu baixo rigor científico, tem sido adotado por milhares de empresas no mundo todo, e por quê?  Por que é um modelo flexível que sugere essa distribuição percentual como uma referência sem leve-la adiante de forma rígida.

 

As três “categorias” do modelo precisam acontecer de forma dependente e é por isso que é chamada de aprendizagem “combinada”, pois o aprendizado efetivo se dá apenas na combinação dessas três esferas e encoraja a apreensão de conceitos a nível teórico diferentemente de algumas leituras ou práticas radicais que incentivam somente o vivencial.

 

Capacitações e intervenções que contribuem para uma mudança de comportamento devem usar o modelo das seguintes formas:

 

  1. Ampliar as parcelas de 20 e 70 dentro do tempo disponibilizado para o aprendizado.

  2. Expandir o processo de aprendizagem para fora das paredes da sala de aula (real ou virtual) de modo a envolver o participante antes e acompanhá-lo em suas ações de mudança depois do evento formal.

 

O ensino tradicional com base na pedagogia que tem foco na transmissão unilateral de conhecimento está com seus dias contados quando adentramos a esfera adulta, pois já se mostrou ineficaz.

 

Em tempos “pós-digital” e de constante acesso a todo tipo de informação partindo do que nos interessa para o que em nada contribui é sabido que nossa capacidade de retenção é baixa. E talvez seja bom assim. Imagina que antes de dormir você lembra um post no Instagram sobre alguém que tem sacos plásticos em casa em quantidade desnecessária. Esquecemos aproximadamente 50% daquilo que recebemos de informação e às vezes isso pode ser uma benção.

 

Se o objetivo de um curso, uma intervenção, é contribuir para uma mudança de comportamento, ele precisa levar em conta essa proporção, 70:20:10 e independente da suposta fragilidade científica, o modelo demonstra algo que – no fundo – todo mundo já sabe: a gente aprende mesmo é fazendo.

 

P.S. Se esse segredinho não é novo para você vou adorar ouvir suas experiências com este modelo. Caso seja, fica dica. Pesquise, leia, me pergunte e vamos fazer melhor pois todos nós precisamos de eficiência e eficácia em nossas intervenções.

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