São, salvos e normais em tempos de Covid-19

 

Tenho ouvidos de todos os lugares do planeta onde tenho amigos algo que vou resumir no apelo: “tudo o que eu mais desejo é que essa crise passe logo para voltarmos, sãos e salvos, à normalidade”.

 

O lance é que não deveríamos voltar à normalidade, se o normal era justamente o maior dos nossos problemas. Também não poderíamos voltar completamente sãos, se já faz muito tempo que estamos doentes.

 

Pense nas falsas teorias do desenvolvimento e progresso humano, medidas por números baseados em indicadores econômicos (PIB, preço do dólar, índice da bolsa, superávits), que nos flagelaram em crescentes perdas sociais e ambientais. Poluição do ar, da água e da terra, destruição da diversidade biológica, aumento do nível do mar e perturbações climáticas maciças.

 

É evidente que adoecemos à medida em que nos agarramos ao desenvolvimentismo e negamos as compreensões sistêmicas e nossa natureza solidária. Falsas teorias nos levaram aos desequilíbrios, incluindo desigualdade, doenças físicas, mentais e as pandemias de gripe espanhola (1918-1920), gripe aviária ou gripe asiática (1956-1958) gripe de Hong Kong (1968-1969) H1N1 ou gripe A (2009-2010), HIV/Aids (1981-atualmente) e Covid-19 (2019-atualmente).

 

Nos últimos anos, construímos em escala global, a polarização política que expõe a nossa agressividade, usando como matéria-prima a eleição de inimigos, dando forma a uma falsa política, que exclui, não dialoga e sim, fomenta o ódio. É fácil imaginar os atos que nos envergonharemos no futuro breve.

 

Estamos vivendo mais do que uma pandemia ou um problema grave de saúde pública.

 

Sairemos, em alguns meses, da Idade Contemporânea para entrar na Idade do "sei lá o que", talvez os historiadores a chamem de “a era do já era”.

 

Desejo que nessa passagem para a Idade do "sei lá o que" tenhamos espaço, urgência e protagonismo para os ecossistemas criativos, os processos de inovação e transformação, os modelos sistêmicos, as construções colaborativas/coletivas, o bem comum, cuidado com a biodiversidade e com todos os seres vivos.

 

A matéria-prima? A empatia! O motor? O pensamento criativo.

 

Esse é um processo de transformação complexo e já é possível percebermos as transformações em distintas dimensões.

 

As transformações imediatas referem-se a qualquer tipo de organização e sua cultura (estado, igreja, empresa, sindicato, família). Em poucas semanas de pandemia é evidente o salto dado em direção a inovação organizacional ocasionado pelo choque da sobrevivência.

 

Transformamos nossas conexões com o mundo e com o próximo, resgatando valores que há muito estavam adormecidos. Do dia para a noite muitos tornaram-se solidários, mais empáticos. Abandonamos a racionalidade para sermos guiaods pelo afeto, emoções e o cuidado com os outros.

 

Porém, a maior e mais complexa transformação, é a transformação individual. A transformação de conexão, que utiliza a visão sistêmicas que percebe a dinâmica do universo sempre em movimento.

 

Por tudo isso, desejo, não voltaremos nem “sãos”, nem à “normalidade”, mas a salvo. 

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