Na Era da Longevidade os mortos superam os vivos?


A população do planeta chegou a sete bilhões em outubro de 2011, segundo as Nações Unidas. Mas qual é o número de todos aqueles que viveram antes de nós?


Costuma-se dizer que há mais pessoas vivas hoje do que jamais existiram - e esse "fato", no mínimo curioso, nos convida a refletir sobre o anúncio da ONU de que a população do planeta atinge novos patamares, mesmo em tempos de Covid-19 segundo o Worldmeters.


A ideia ajuda a alimentar temores de que a população esteja se expandindo de forma descontrolada. É verdade que se você mergulhar de volta nas brumas do tempo a população da Terra era minúscula em comparação com a de hoje e, logicamente, pode parecer plausível que o número de vivos supere os mortos.


A maioria dos demógrafos concorda que o dígito da ONU para o número de vivos hoje é razoavelmente preciso. O problema é: como você calcula quantos já viveram e por onde começar? O grupo do Population Reference Bureau em Washington composto por Wendy Baldwin, diz que o ponto de partida é quando o Homo sapiens caminhou pela primeira vez na Terra, cerca de 50.000 anos atrás. Aqui você tem um ponto de partida e um final, mas é o tempo intermediário a causa dos problemas pois durante 99% desse tempo não houve coleta de dados. Isso significa que os especialistas precisam dar um palpite bem fundamentado. Vamos lá então!


No século 20, a taxa de natalidade mundial caiu de 40 nascimentos por 1.000 pessoas por ano para apenas 31 em 1995, e hoje é de apenas 23. Porém, afirma Wendy Baldwin, há muito tempo nós humanos precisávamos de uma taxa de reprodução de cerca de 80 nascimentos por 1.000 pessoas por ano para sobrevivermos enquanto espécie. Tendo em vista que, naquela época, nós além de vivermos pouco, muitos dos que nasciam morriam sem ter tido filhos, o que gerava um problema para garantirmos nossa sobrevivência enquanto espécie.


Hoje, a expectativa de vida é de cerca de 75-80 anos e durante a maior parte da nossa história não foi assim. Há algumas estimativas para a Idade Média, onde a expectativa de vida pode ter sido de 10 a 12 anos, o que significa que muitas pessoas nunca conseguiram sair da infância. Mesmo com muitos nascimentos, muitos desses nunca viveram para ter filhos.


Em outras palavras, seria fácil subestimar o número de pessoas que nasceram, viveram e morreram na primeira parte da história humana. Essa estimativa de 80 nascimentos por 1.000 pessoas por ano parece muito alta para os padrões de hoje - mas na verdade é conservadora, implicando um crescimento populacional muito lento, mais lento do que vemos hoje.


Somados a essa suposição para o período inicial, temos os dados mais precisos da era moderna quando iniciamos registros escritos através de censos, coleta de impostos, certidões de nascimento. Por volta de 1800, e até um pouco antes disso, os dados se tornam robustos. Torna-se então plausível estimar que no século XVIII temos um bilhão de pessoas na terra.


Esses registros escritos significam que podemos ter certeza sobre o número final do número de pessoas que já viveram. O crescimento populacional ocorreu principalmente no período moderno, quando os registros começaram a ser feito. Então se as estimativas para o período inicial estiverem ligeiramente fora do normal, estatisticamente falando, isso não mudará drasticamente a proporção geral de "já vivido" para "vivo".


Então, quais são os números? Existem atualmente sete bilhões de pessoas vivas e o Population Reference Bureau estima que cerca de 107 bilhões de pessoas já viveram. Isso significa que não estamos nem perto de ter mais vivos do que mortos. Na verdade, há 15 mortos para cada pessoa viva.


Os fãs de ficção científica, neste momento, podem estar buscando suas cópias do clássico de Arthur C. Clarke, 2001: Uma Odisseia no Espaço. Nesse livro, ele faz a afirmação: "Atrás de cada homem agora vivo estão 30 fantasmas, pois essa é a proporção pela qual os mortos superam os vivos."

Certo ou errado? Depende do método. Clark fez sua declaração em 1968. Naquele ano talvez houvessem 3,5 bilhões de pessoas vivendo na Terra, então se você usar o método do grupo Population Reference Bureau, isso representaria uma pessoa viva para 29 mortos.


E chegaremos a um ponto em que haja mais vivos do que mortos?

Isso implicaria em uma taxa muito alta de crescimento populacional. Podemos imaginar uma capacidade da Terra de 100-150 bilhões pessoas? Acho isso improvável!


Em 2012, as projeções da ONU indicavam que a população mundial continuaria a crescer em número cada vez menor no futuro previsível. É esperado que a população humana chegue entre 8,3 e 10,9 bilhões em 2050. Outras estimativas mostram números menores, como um estudo de 2014 que afirma que a população humana irá variar entre 9,3 e 12,6 bilhões até 2100, e continuará crescendo.


Muitos analistas questionam a sustentabilidade de uma população cada vez maior, observando o impacto humano no meio ambiente, no suprimento global de comida e a falta de recursos energéticos. Outros negam esta visão pessimista, afirmando que novas técnicas de agricultura e o desenvolvimento tecnológico podem suportar o crescimento populacional. Além disso, a população humana vai continuar a crescer, mas em um ritmo cada vez menor, principalmente devido ao melhor acesso a meios contraceptivos, a pets que substituem o papel das crianças nos relacionamentos de casais, melhorias na qualidade de vida e melhores oportunidades econômicas para mulheres.


Isto tudo significa dizer que para cada um de seus dois antepassados diretos (avós) dois outros (bisavós) viveram tempo suficiente para povoar o planeta e manter seus genes expressos nas gerações futuras.


Vale reverenciar e celebrar através dessas pessoas a nossa caminhada nesse “pálido ponto azul” como diria Carl Sagan.

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STELLA BITTENCOURT

 

LIFE STRATEGIST

 

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